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Criolipólise, conheça a realidade!

Quem não lembra do Lipostabil e da Hidrolipoclasia não aspirativa? Já foram considerados substitutos da lipoaspiração, após milhares de pessoas terem sido submetidas aos referidos tratamentos, foi evidenciado que não eram efetivos e causavam muitas complicações, acabaram sumindo tão rápido como chegaram. Venho expor aqui algumas considerações em relação a criolipólise, tratamento amplamente divulgado como o novo milagre para o tratamento da gordura localizada.

Qual a sua origem?

Em 2008, iniciaram as primeiras pesquisas referentes à essa técnica, partiram de dois médicos Dr. Rox Anderson e Dr. Dieter Manstein do curso de Medicina de Harvard. Em seus estudos, em porcos, constataram redução de gordura nas regiões resfriadas, sem dano à derme e ao tecido muscular, as quais duraram por ate 90 dias, tempo de acompanhamento dos animais.

Em 2009 foi realizado o primeiro teste policêntrico em humanos. Realizado por Sydney R. Coleman, Barbara M. Egbert, Kulveen Sachdeva, Jessica Preciado e John Allison. O estudo foi feito em 10 pessoas, as quais foram submetidas ao procedimento. A análise do antes e depois foi feita por meio de ultrassom em 9 dos pacientes, os quais se submeteram, também, a avaliações neurológicas e colheita de tecido para biópsia.

Também em 2009, Jeffrey Dover e Elizabeth Tanzi testaram o procedimento em 32 pacientes, com resultados analisados através de ultrassom em apenas 10 indivíduos da amostra.

Como iniciou a sua aplicação nos pacientes no Brasil?

Após estudos em porcos, 42 pacientes tratados e apenas 19 analisados por ultrassom e outras formas de avaliação sem validade cientifica, apareceram os primeiros aparelhos de uso comercial no Brasil, isso no ano de 2013.

Quais os aparelhos disponíveis no Brasil?

Não são disponibilizados aparelhos de empresas de reconhecida qualidade em tecnologias de ponta e de mercados sérios como o Alemão e o Americano. Os aparelhos do mercado brasileiro são importados da Ásia ou nacionais com tecnologia Chinesa. Muitos não possuem registro na ANVISA.

Quem utiliza o equipamento?

Os equipamentos na maior parte das vezes são alugados por empresas para qualquer profissional que queira utilizar a tecnologia, independente da formação. São raros profissionais bem estabelecidos e de reconhecida idoneidade que utilizem o equipamento. As empresas locatárias proporcionam um treinamento relâmpago e a pessoa esta habilitada a empregar a tecnologia. Uma sessão pode custar ate R$ 2000,00, proporcionando um retorno financeiro espetacular para o locador.

Quem são os pacientes?

Usualmente o paciente que busca a criolipolise são pessoas que estão insatisfeitas com o contorno corporal, tem receio de realizar uma lipoaspiração e acreditam na promessa de um resultado rápido, sem complicações e de rápida recuperação.

Qual é a realidade?

Por principio, a gordura localizada possui relevos, ou seja, quando é realizada uma lipoaspiração, aspira – se de forma mais acentuada ao centro, na projeção do ápice do acumulo adiposo e progressivamente de forma menos acentuada nas laterais da adiposidade. A criolipólise não possui esse ajuste fino e até artístico da lipoaspiração, tratando regiões retangulares. Não são infrequentes os casos de queimaduras. É muito frequente, na minha rotina diária, o atendimento de pacientes com hiperplasia adiposa paradoxal. Essa sequela do tratamento, caracteriza – se por um aumento acentuado, na área tratada, de células adiposas envoltas por denso tecido cicatricial. Ou seja, ocorre um aumento de volume, com endurecimento na região, de difícil tratamento, mesmo com o emprego de lipoaspiração.

Qual é o futuro?

Acredito que diferente do que ocorreu com o Lipostabil e a Hidrolipoclasia não aspirativa que sumiram sem deixar grandes lembranças e sequelas. A Criolipólise vai ser lembrada de forma extremamente negativa, por ter exposto pessoas a complicações e sequelas de difícil tratamento. Acredito que os profissionais que realizavam a técnica, como é de costume no Brasil, argumentarão que a técnica era liberada pela ANVISA, assim como foi argumentado no episódio dos Implantes mamários da PIP e Rofil. Os pacientes sempre terão a seu favor o fato de serem leigos no assunto. Pelo fato da saúde ser tratada como um negocio, de forma equivocada em nosso pais, assim que a Criolipólise for deixada de lado, logo aparecerá uma nova técnica substituta, revolucionaria e milagrosa.

Conheça a medicina do século 21!

A tecnologia da comunicação sempre esteve a favor da saúde. Quem ainda se lembra do bipe, por exemplo, vai recordar também como os “doutores” foram os primeiros a terem esses aparelhinhos trabalhando a seu favor, recebendo mensagens sobre emergências e plantões. Depois, com a chegada dos celulares, logo os pacientes com problemas mais graves puderam ligar para seu médico em situações de emergência. Além disso, se alguém passar mal na rua, várias pessoas têm como chamar por socorro imediato. Mas o mundo hoje está em constante evolução, principalmente ao lidar com os aparatos eletrônicos. Portanto, celulares, tablets e muitas outras inovações têm tudo a ver com saúde e há muito por vir.

Essa relação se dá justamente devido à mobilidade, o que será muito útil para o futuro, já prevê a empresa de consultoria Ernst & Young. De acordo com uma pesquisa encomendada a eles, grande parte da assistência médica daqui a alguns anos será feita no chamado “terceiro lugar”, ou seja, a casa do paciente ou qualquer local em que ele esteja (o primeiro e o segundo são os hospitais e consultórios). “Os meios para isso já existem, o que discutimos são os padrões de monitoração e qualidade de atendimento”, fala Chao Lung Wen, chefe da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenador desse mesmo setor no Hospital das Clínicas (SP).

A tendência é que as inovações na medicina se voltem à prevenção e diagnóstico. “No futuro, não existirão medicamentos inovadores e, já hoje em dia, eles já estão mais raros”, explica Walban Damasceno de Souza, diretor de assuntos corporativos da BD Brasil, empresa especializada na fabricação de aparelhos de saúde.

 Aplicativos aplicados

Os pacientes que mais se beneficiarão com a mobile health são os portadores de doenças crônicas. “Haverá acompanhamento em tempo real de diabéticos e hipertensos”, diz Luiz Vicente Rizzo, diretor do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (SP). Nesse campo, destacam-se o uso dos “apps” para celulares. “Neles, pode-se montar um cardápio, ver receitas, administrar dados de pressão, agendar consultas e exames, programar lembretes ao longo do dia, enfim, há uma infinidade de situações e possibilidades”, fala o endocrinologista Márcio Krakauer (SP). Há também a criação de gadgets que se conectam a esses dispositivos, amplificando essas funções e possibilitando medições. As melhoras nesse aspecto trarão interações maiores, como aponta Wen, ainda mais com a chegada do 4G, que terá melhor velocidade e capacidade de enviar dados de alta performance, ensina o especialista.

Jogos na telona

Mas os aparelhos menores não têm exclusividade quando o assunto é saúde interativa. O sensor de movimento, presente na nova SmartTV da Samsung e nos videogames Wii (Nintendo) e Xbox-Kinect (Microsoft), também será de grande auxílio nessa área. “Isso pode ser conectado a uma rede que permite acompanhar atividade física em casa, pois consegue registrar a exata movimentação e se ela está sendo feita corretamente”, prevê Wen. E o reconhecimento de gestos e a câmera podem monitorar pacientes de risco, verificando a ocorrência de quedas, etc.

E não só os consoles serão importantes, como os jogos, que têm potencial para ajudar as pessoas na adoção de novos hábitos. Já existe um para crianças com diabetes tipo 1, que são dependentes de insulina. “O jogador vai ganhando pontos se suas glicemias estão normais, e o aparelho é acoplado a um monitor desta taxa”, descreve Krakauer. Além disso, eles já estão sendo utilizados no tratamento de questões emocionais, seja resgatando indivíduos de estados de depressão e ansiedade ou preparando-os para possíveis situações-problema, simulando-as e impedindo que desencadeiem reações de pânico quando ocorrerem na vida, por exemplo. “Isso conceitualmente funciona, mas ainda não é comprovado”, alerta Wen.

Contêineres de saúde

Mais uma vantagem dessas tecnologias móveis é sua abrangência: elas podem chegar a lugares bem distantes, o que é muito comum no interior do Brasil. “Serão a solução para as regiões remotas, onde não há acesso a laboratórios e médicos, o deslocamento fica complicado e superlota o sistema de saúde dos grandes centros”, esclarece Souza.

Há também o conceito de “contêineres de saúde”, unidades específicas com várias especialidades, que podem ser transportadas por estrada, trens, helicópteros e embarcações para zonas de devastação ou isoladas, e mesmo grandes eventos. Dependendo da finalidade, uma combinação diferente. “Há como unir um de laboratório clínico, um de sistemas de imagem, um com pequeno ambiente cirúrgico e um de gerador de energia, e fazer uma campanha de prevenção em lugares longínquos”, explica Wen. Assim, é possível criar atendimento em diversas regiões, atendendo cada uma de suas necessidades.

A comunicação dos smartphones e tablets permite que os médicos se mudem para esses locais sem correr o risco de ficarem desatualizados. Com a internet nesses meios, os profissionais têm acesso aos bancos de dados das instituições e aos estudos mais importantes. Distância não será o problema.

 Ao vivo é melhor

Porém, nem toda a informação advinda das novas tecnologias é verdadeira, tanto na busca na internet quanto na procedência do aplicativo, por exemplo. Normalmente, os leigos são mais propensos a acreditarem em conteúdos errados. “Esses serviços serão confiáveis se ofertados por instituições de qualidade. Mas é preciso a criação de mecanismos que homologuem ou certifiquem locais que fazem trabalhos bons também”, acredita Wen. E é importante frisar que essas tecnologias são um complemento ao atendimento ao vivo. “Sem a consulta e o exame pessoal não existe a parte mais importante na relação médico-paciente, apenas uma coleção de dados clínicos e de medicina diagnóstica que representam uma parcela do problema”, salienta Rizzo.

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